quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Natal 2009


Nasceu-nos um menino!

Esta foi a Boa Nova.
Quando nasce uma criança os homens, quase todos, ajoelham diante do milagre da vida e se necessário, contribuem com os seus presentes, dando do que têm, partilhando.
Mesmo que o Natal não tivesse senão este significado,do ajoelhar perante o milagre e a esperança da vida e de bom coração dar do que se tem, repartindo, já valia a pena haver Natal.
Mesmo que os votos de Boas Festas que damos e recebemos nos pareçam uma formalidade - que excelente formalidade esta é. Uma vez por ano os homens saúdam-se.
Oxalá aprendessemos a fazê-lo todos os dias e haveria PAZ e todos seriamos homens de boa vontade.
Pastora

terça-feira, 1 de setembro de 2009

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Vestir-se



Nestes dias de calor, vestir seja o que for é sacrifício.
Vestir-se é um acto mediador do modo como o “eu” se apresenta no mundo e, a reacção do mundo, depende não só da forma que escolhemos para essa mediação, como das normas culturais vigentes e das expectativas sociais relativamente à situação concreta. Vestir-se, requer uma complexa teia de conhecimentos para que o resultado seja satisfatório para o próprio e para os outros.
Quando está este calor, deviamos saber vestir-nos de luz.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

San Suu Kyi e os tiranos


«Não é o poder que corrompe mas o medo. O medo de perder o poder corrompe aqueles que o detêm e o medo das sevícias do poder corrompe aqueles que lhe estão sujeitos.» San Suu Kyi

Presa há mais de 13 anos, esta lutadora pela democracia, que ganhou em 1990 o prémio Rafto e o Prémio Sakharov Pela Liberdade de Pensamento e em 1991 o Prémio Nobel da Paz, acaba de ser de novo condenada a mais 18 meses de prisão por falso testemunho.
Ela não tem medo, mas o mundo tem medo de interceder por ela. Durante o nazismo eram muitos os que sabiam e nada fizeram . Devem ser os cidadãos a unir-se e a dar força aos governos para se oporem.
Se queres associar-te ao protesto vai a:

http://www.avaaz.org/en/jail_the_generals

e assina a petição. Fazemos pouco, mas aquilo que fazemos faz toda a diferença.Hoje por ela, amanhã por nós.

domingo, 2 de agosto de 2009

Lar de Idosos em Belmonte

"Ao lado do bem individual, existe um bem ligado à vida social das pessoas: o bem comum. É o bem daquele « nós-todos », formado por indivíduos, famílias e grupos intermédios que se unem em comunidade social." Bento XVI - Carta Encíclica Caritas in Veritate

Levei hoje ao Lar de Belmonte,uma Senhora com 94 anos, toda curvadinha ,mas bonita e corajosa para se atrever a fazer a viagem para ir visitar uma prima direita, criadas como se irmãs fossem, e que ali está recolhida.

Hoje dia 2 de Agosto, pleno Verão do ano 2009.

Chegámos a Belmonte pelas 16h30 com o calor próprio da hora e da data. Procurámos onde era o Lar e lá chegámos. Descemos a rampa ajudada a Senhora pelo meu braço e pela sua bengalinha. Já eram então 17h30. Depois de alguns minutos de troca de palavras com as pessoas que ali se encontravam, na maioria idosos, fomo-nos apercebendo que a hora da visita já tinha terminado. Pedi então a uma funcionária que permitissem que a Senhora saudasse a sua prima, que lhe fosse permitido "ao menos dar-lhe um beijo" como ela pedia. Lá me informou que a Senhora internada tinha ido para a cama às 17h00 (de uma clara tarde de Verão) e que ia chamar um enfermeiro, que estava ocupado e viria dentro de um bocadinho. Deixei a Senhora sentada na entrada e fui visitar o Museu. Voltei passado meia hora. A visita não tinha sido autorizada. Insisti. Com aquela força que nos dá a caridade - palavra estafada e à qual Bento XVI pretende restituir os eu verdadeiro significado, o amor, o amor pelo outro, amor que é justiça.

"Nada, não há excepções"- não interessa a idade da visitante, nem a dificuldade em se deslocar ,cumpre-se o regulamento. Um Regulamento feito em nome das Pessoas, contra elas ! Um Regulamento que não admite excepções! Um Regulamento de um "LAR", ou de uma "PENITENCIÁRIA" ?

-"Ao que chegamos", dizia a Senhora quando infinitamente triste e com a boca amarga se retirava da Instituição. Deveria dizer antes " onde ainda estamos no tratamento dos idosos"!!! Será difícil imaginar a importância que tem ver um familiar ou um amigo quando se tem 94 anos?

É em defesa do Bem-Comum que denuncio a situação. Estavam comigo duas amigas que ficaram igualmente chocadas. E lá pensámos todas, o que vai ser de nós, se chegarmos a necessitar de um internamento numa tal instituição. Eu acho que preferirei a berma da estrada, pelo menos toda a gente me verá e sempre pode passar um bom samaritano.

Os utentes deste como dos outros lares vivem aterrorizados de medo. Com os seus familiares passa-se exactamente o mesmo - dependem da boa vontade de quem ali manda, não vão as represálias fazer-se sentir sobre o seu idoso ou não lhe entre o mesmo pela porta da sua casa adentro. Foi assim que se permitiu que Hitler dominasse. Cada um tinha medo e pensava que talvez as coisas ficassem pelos outros desde que colaborassem.

Senhor Provedor daquela Santa Casa da Misericórdia - saberá o que quer dizer Misericórdia? O senhor quer submeter-se a este Regulamento quando for velho e sem ninguém para lhe valer?

Enquanto não vemos que "o outro" "sou eu", só enxergamos o nosso umbigo. E queremos ordem e em nome da ordem deixamos de ser Homens. Deixo-lhe a si a escolha daquilo em que nos transformamos.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

O conhecimento

"Num ponto qualquer afastado do universo que se expande no brilho de inumeráveis sistemas solares, houve uma vez uma estrela na qual animais inteligentes inventaram o conhecimento. Foi o minuto mais arrogante e mais enganoso da "história universal": mas foi apenas um minuto. Depois de alguns suspiros da natureza, a estrela congelou e os animais inteligentes morreram. - Esta é a fábula que alguém poderia inventar, sem conseguir contudo ilustrar que lamentável excepção, vaga, fugitiva e vã, o intelecto humano constitui no seio da natureza. ...Não existe nada, por pior ou mais insignificante que seja na natureza que, por um pequeno sopro desta força de conhecer, não fique inchado como uma odre;" - Nietzsche - Introdução teorética sobre a verdade e a mentira no sentido extra-moral (1873)

A seguir Nietzsche expõe a sua teoria da razão porque o homem persegue o conhecimento e a "verdade" como sendo de ordem utilitária, pragmática. E contudo, quando eu me inclino deliciada perante esta sabedoria e perante a beleza destas frases que gostaria de saber de cor, não é tanto o conceito de utilidade que me conduz, como a agradável sensação de tocar a verdade e a beleza. É que a sabedoria, a beleza e a bondade atraem o homem, do mesmo modo que a ignorância, o feio e o mal o afastam.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

domingo, 3 de maio de 2009

sexta-feira, 1 de maio de 2009

1º de Maio 2009


Que linda tarde de Primavera, a deste 1º de Maio 2009!
Sentei-me numa esplanada com um livro e, meio ao sol, meio à sombra, frente a um bonito jardim fui lendo durante cerca de 2 horas. Ao longe, ora o som de uma gaita de foles e bombos, ora os ensaios dos alunos da escola de música mesmo em frente. Depois fui até ao centro, ao meio do povo, à festa. Lá estavam os bombos a actuar com as suas bonitas camisola vermelhas. Fiquei um pouco mais do que seria habitual. Saboreando a música popular "
oh minha farrapeira oh minha farrapeirinha" , sentindo o entusiasmo com que tocavam os seus bombos enquanto pensava que havia pouca gente . Um 1º de Maio em que o Mundo parece dizer que dispensa o trabalho e os trabalhadores.
Assustam-se os homens e mulheres donos destas mãos que tocam os bombos, que tecem, lavram, edificam, organizam, modificam, enfeitam e tornam o nosso mundo bonito num mundo um pouco mais confortável. Elas não são dispensáveis, apenas mudam de lugar. É nelas que reside toda a força do Mundo e os trabalhadores às vezes esquecem que a Norte ou a Sul, a Leste ou Oeste, é nas suas mãos que está o poder.
Reparo na ironia entre o dia que hoje se comemora e o livro que estou a ler. É o Princípe de Maquiavel.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Deficientes e Impostos

Em vez de incentivar os deficientes a não serem dependentes e apesar das suas dificuldades - i m e n s a s - conseguirem ser independentes em vez de subsidio-dependentes, o nosso estado socialista espreita os seus ordenados para lhes caçar uns tostões, enquanto deixa escapar os milhões dos bancos e das grandes empresas que não pagam ao fisco.

sábado, 4 de abril de 2009

Os Seniores e a Universidade

Paralelamente ao ensino ministrado nas Universidades Seniores e quiçá até estimulados pelo seu exemplo ou pela sua prática, alguns seniores, possuidores de uma licenciatura universitária ou de habilitações necessárias para o ingresso numa Universidade, querem voltar a estudar nas Universidades Públicas. Aos seniores assiste o direito ao desenvolvimento da personalidade, da capacidade civil e da cidadania que, a vida ocupada que tiveram, não lhes deu oportunidade de adquirir na medida do seu desejo.
A Constituição Portuguesa assegura no seu Artº 13º que, todos os cidadãos são iguais perante a lei e garante pelo Artigo 43º a liberdade de aprender dizendo no nº 2, que o Estado não pode programar a educação e a cultura segundo quaisquer directrizes filosóficas, estéticas, políticas, ideológicas ou religiosas.
Ao procurarem a aprendizagem na Universidade, estes seniores normalmente não pretendem ter acesso a nenhum diploma, não precisam de uma ferramenta de trabalho, querem aprender pelo gosto e pelo prazer de aprender, pela necessidade de encontrarem respostas a algumas interrogações. E, porque não precisam do diploma, querem ter acesso à frequência das disciplinas (agora unidades curriculares )que lhes interessam, em condições de igualdade com os que compram o pacote completo de um ano de uma licenciatura. Até há pouco tempo, existia a facilidade da matrícula em disciplinas “avulsas”, como “cursos de extensão”, sem a obrigatoriedade da frequência de todas as disciplinas de um ano curricular, mediante propinas equitativas. Presentemente, os ditos cursos de extensão, são considerados “bens de luxo” sendo, em consequência disso, taxados pelo quadruplo quando comparado com o preço normal das propinas. Assim, enquanto que a propina de cada unidade curricular custa cerca de 90 € para quem se matricula no ano todo (cerca de 900 € por 10 unidades), custará o mínimo de 360 € cada para aqueles que se consideram capazes de decidir o que precisam e querem estudar. Também as universidades seguem as regras de mercado e ... é o pague 3 e leve 10 ou à dúzia é mais barato!
Os seniores, maiores de 55 anos, gostariam de ver eliminada mais esta recente barreira à sua formação. Gostariam de poder matricular-se apenas nas matérias que pretendem, mas em igualdade de preço com os que se matriculam nos currículos completos.
Podem crer Senhores Reitores, todos vão beneficiar com esta medida. Usando terminologia de gestão que parece obrigatória mesmo no que diz respeito à cultura, poderá afirmar-se que esta abertura das universidades constituirá uma excelente medida prática que proporcionará às universidades um maior aproveitamento dos recursos investidos, nos cursos e nas universidades que não conseguem esgotar a capacidade instalada.
Na realidade existem hoje muitas vagas nas Universidades, vagas que possivelmente a actual crise financeira aumentará ainda mais. Resultará claro que, ao defender este direito para os seniores, não se pretende disputar lugares com os mais novos, necessitados de um diploma para ingressarem no mercado de trabalho, mas aproveitar aulas que já estão a ser ministradas, quantas vezes para menos de uma dúzia de alunos (matrículas são uma coisa e frequência às aulas é outra bem diferente) nas quais mais alunos não representarão qualquer encargo extraordinário e, pelo contrário, permitirão a vantagem de um saudável convívio inter-geracional e o estímulo dos mais novos, pelo exemplo do elevado interesse pelo estudo característico dos mais velhos.
Qualquer país tem tanto mais possibilidades de se desenvolver quanto mais cidadãos activos e informados possuir. Consequentemente, este desejo de alguns seniores, não pode ser encarado como um luxo pessoal, mesmo raciocinando em termos do sistema capitalista em que estamos inseridos, no qual a uma despesa deve corresponder um proveito.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

domingo, 8 de março de 2009

Cuidar dos Idosos

No dia de hoje, dia Internacional da Mulher, a propósito da ainda vigente dominação masculina, deixo aqui uma pergunta:
- Cuidar dos idosos em casa, coisa aparentemente tão apreciada socialmente, é tarefa das mulheres da família?
É que das crianças, dos filhos, já começou a tornar-se vergonha, ao menos em tarefas mais divertidas, como levar à escola ou acompanhar nos deveres, que o homem não as partilhe, mas quanto aos idosos nem uma linha se escreve. Será que só os jornalistas homens escrevem sobre o assunto, apontando o dedo para mais uma obrigação inerente à mulher? Ou será que as mulheres assumem como sendo da sua responsabilidade coisas demais?


Dia Internacional da Mulher


Celebramos hoje o dia Internacional da Mulher.

Apesar dos esforços, e do progresso conseguido nas últimas décadas para promover a integração da Mulher, o planeta Terra continua dominado pelo género masculino.

Necessitamos de continuar a forçar a caminhada na difícil estrada da diferença, onde havemos de encontrar um horizonte comum. O resultado dependerá das contribuições pessoais. Mas uma coisa é certa, todos os discursos sobre outras inclusões, não passarão de máscaras sociais, enquanto não tivermos resolvido o problema da inclusão da Mulher. Porque antes de outras diferenças, o género humano é formado por homem e mulher.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Prós e Contras - O casamento homossexual

Casamento homossexual hoje no Prós e Contras

Para ser possível acolher os outros não basta tolerar as diferenças. Desse modo apenas conseguiremos ter boas maneiras, enquanto que no nosso íntimo continuamos a julgar-nos superiores aos outros. O diálogo é um convite à conversão, à revisão das nossas convicções. Não se dialoga quando se está apenas interessado em demonstrar a validade das próprias convicções, sem abertura para acolher as dos outros, antes com receio de o fazer, por com isso poder dar a ideia de ter falta de carácter. De uma forma geral diz-se “tolerante” o que faz parte da maioria social, sendo as minorias apenas “toleradas”.
O programa de hoje foi um convite à abertura ao “outro” ao diferente, às suas razões e convicções. O que está em causa mesmo é que esta minoria exige ser tratada como igual, reclama o direito à liberdade dos seus afectos e da sua sexualidade.

“E não era pecado
pecado original, a solidão - ,
era a surpresa perecível de amar.”
António Osório, Adão, Eva e o Mais

A família é uma resposta dos homens à solidão e à necessidade de protecção, uma recusa ao acaso das relações com o outro, uma forma de providenciar protecção das crianças, uma forma de poder melhor responder às necessidades de trabalho e subsistência, um entendimento entre duas pessoas que, ficando juntas, desenvolvem interesses comuns e que, por serem comuns, são mais facilmente realizáveis e passíveis de preservar. É, em suma, a forma mais corrente e primeira, de organização e associação humanas. Porque a família responde a necessidades e as necessidades mudam e evoluem, ela naturalmente tem evoluído e assim terá necessariamente de continuar a verificar-se, enquanto os homens sentirem que vivem melhor acompanhados do que sozinhos.
Só a partir do Sec. XVII é que o casamento se transformou numa instituição e adquiriu para a Igreja Católica, com o Papa Paulo V, o valor de sacramento, passando o padre a ser o único oficiante autorizado da celebração. Mas, pelo facto de passar a ser mais ritualizado e sacramentalizado não deixou de ser como anteriormente, um contracto, um negócio entre famílias, que exactamente pela sua importância como contracto, necessitava de ser controlado e regulado.
Bourdieu defende que a ordem social tende a ratificar a dominação masculina em que assenta, e que o casamento é um dos aspectos da vida onde esta dominação se manifesta e da qual se alimenta. Não admira que tivéssemos visto só homens manifestando-se “contra”. No fundo já estão a antever mais um abanão na dominação masculina da sociedade.
O mundo de hoje tornou-se imprevisível e impessoal. O amor e a intimidade passam a fazer parte das expectativas de realização dos indivíduos. O casamento ou a união com outro, tende a deixar de ser um negócio que obedece a razões meramente económicas ou de comodidade, para encetar o caminho da relação pura. Impôs-se o fascínio do amor, por permitir o milagre da não violência, do reconhecimento mútuo, do desinteresse e da possibilidade da entrega mútua. O amor como meio para a instauração de uma nova comunidade, de uma nova convivência.
Com esta nova perspectiva, novas formas de conjugalidade aparecem e coexistem porque as pessoas lutam pela sua felicidade e as leis são feitas pelas e para as pessoas.
Trezentos anos antes, já Rousseau escrevia no Discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade entre os homens : “ De sorte que, como para estabelecer a escravidão foi preciso fazer violência à natureza, também foi preciso mudá-la para perpetuar esse direito: e os jurisconsultos que pronunciaram gravemente que o filho de um escravo nasceria escravo decidiram, em outros termos, que um homem não nasceria homem. ” ... “ Começa-se por investigar as regras pelas quais, para utilidade comum, seria bom que os homens concordassem entre si; e, depois, dá-se o nome de lei natural à colecção dessas regras, sem outra prova além do bem que se julga resultar de sua prática universal."
E recordo ainda Khalil Gibran e as suas palavras sobre as leis :
...."Que pensar do boi
que gosta do seu jugo
e julga que o gamo e o alce
da floresta
são coisas perdidas e vagabundas?
Que pensar da velha serpente
que não é capaz de deitar fora a pele,
e qualifica todas as outras
de nuas e despudoradas?
......
Que direi destes, a não ser
que também eles estão na luz,
mas de costas voltadas ao sol?
Vêem apenas as sombras,
e as suas sombras são as suas leis.
E o que é o sol para eles
senão um criador de sombras?
E que é reconhecer as leis
senão inclinar-se
e traçar as próprias sombras na terra?

Vós que caminhais voltados para o sol,
que imagens reflectidas na terra
são capazes de vos reter?"


Khalil Gibran “O Profeta

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

O Amor

Pablo Neruda - Poemas de Amor



Soneto 44 De Pablo Neruda(100 Sonetos De Amor)

Sabrás que no te amo y que te amo
puesto que de dos modos es la vida,
la palabra es un ala del silencio
el fuego tiene una mitad de frío.

Yo te amo para comenzar a amarte,
para recomenzar el infinito
y para no dejar de amarte nunca:
por eso no te amo todavía.

Te amo y no te amo,
como si tuviera en mis manos las llaves de la dicha
y un incierto destino desdichado.

Mi amor tiene dos vidas para amarte.
Por eso te amo cuando no te amo
y por eso te amo cuando te amo.


quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Koala ou meu irmão koala ?

Foto de Mark Pardu
Austrália e o horror dos fogos.
A Solidariedade do bombeiro para o pequeno Koala!

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

A crise

Análise da Sociedade Portuguesa
  • Podia ser de hoje, com poucas diferenças, mas este texto foi escrito em Junho 2005


Desemprego anunciado

Recebo todos os meses uma newsletter sobre tendências do consumo. A deste mês, Junho de 2005, era essencialmente sobre os nichos de mercado, sobre o fim do consumo de massas, sobre o primado do consumidor num mundo ocidental onde há excesso. Este tipo de fins anunciados exercem sobre muita gente um efeito de cataclismo previsível e ao qual é impossível escapar.
Sempre que surge uma novidade tecnológica, científica, social, política, anuncia-se o fim de qualquer coisa, como se essa novidade destronasse radical e imediatamente o que estava em uso, ao qual não resta outra opção senão sumir-se, como se fosse possível cortar assim com o passado. Quando a televisão surgiu anunciou-se o fim do cinema, o fim da rádio. Passaram décadas e o cinema aí continua bem vivo, com as suas sessões de Óscares e a rádio continua a acordar-nos e a ser a nossa companhia nas viagens de automóvel; deixaram de ter exclusividade, foram forçados a adaptar-se. Com a Internet anunciou-se o fim dos livros e das livrarias; e houve lugar para se formar a Amazon.com.
Como diz Karl Popper, “nós criamo-nos a nós mesmos através da invenção da linguagem especificamente humana”. A linguagem cria a realidade, se nos deixarmos empurrar por ela, acreditando que o que se diz que vai acontecer, já é. Para Popper “a actividade, a desordem, a procura, é essencial à vida ".
Vem isto a propósito da abertura das fronteiras à China e do fim, anunciado há 10 anos, para os têxteis portugueses. Com certeza que não só para os têxteis, porque um elefante daquele tamanho, ao entrar num charquito como é a Europa, pode bem esvaziá-lo, se em todo o lado o processo tiver o tratamento que tem tido em Portugal. Ou seja, não escaparão os fabricantes de telemóveis suecos, nem os agricultores franceses, nem os construtores de automóveis alemães ou os relojoeiros suíços, a menos que já se tenham deslocalizado e estejam a fabricar lá. Assim sendo, talvez mantenham o negócio, mas não os postos de trabalho aqui na Europa. E à China podemos juntar a Coreia, o Taiwan e o Japão. Trabalho só existirá no Oriente. Mas como só o trabalho gera riqueza, na Europa restarão muito poucos ricos (os donos do capital que se deslocalizaram) e tão poucos serão, que este mercado deixará de ter interesse para aqueles Mamuts .
Grande parte dos portugueses, em virtude dos governos que têm tido e por força dos meios de comunicação, andam assarapantados e estão imobilizados, à espera que D. Sebastião saia do nevoeiro para lhes apontar o caminho que devem seguir. Como em 1871 dizia Antero de Quental ”é o abatimento, a prostração do espírito nacional. Acostumado o povo a servir, quebrou a energia das vontades, adormeceu a iniciativa”.
Qual nicho de mercado, qual estratégia possível ! Até os universitários, que supostamente sairão das universidades razoavelmente bem preparados para trabalhar e serem agentes modificadores do meio-ambiente, até esses, que estão a ser armados com a única armadura resistente para o nosso tempo, que estão a ser dotados de uma herança não perecível, os nossos jovens, a quem normalmente era necessário recomendar prudência, por lhes ser natural o gosto pelo risco, até eles estão aterrados, com medo de não arranjar trabalho, já mentalmente convencidos que o futuro será pior do que o passado.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Les Feuilles Mortes - Kiri Te Kanawa

huó dào lǎo, xué dào lǎo

Aprendizagem ao longo da vida significa também ter a coragem de aprender chinês "after sixty". Eu não tenho, mas há quem tenha,quem tenha partilhado isto comigo e disso aqui vou deixar o meu testemunho de pastora, que tem notícias de outras gentes e de outros sítios.

huó dào lǎo, xué dào lǎo

à letra: viver para chegar a velho, aprender para chegar a sábio

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

O estranho caso de Benjamin Button



O filme começa e termina numa "maison de retraite" onde Benjamim é acolhido. Pouca diferença entre os cuidados de que precisa um recém nascido e um idoso. A primeira infância e a grande velhice têm muito em comum, nas capacidades físicas e psíquicas de corpos que diferem no aspecto físico. Talvez fosse melhor se, como no filme, fizéssemos o percurso ao contrário, terminando como bébés rechonchudos.

Quanto nos custa aceitar que, se duramos mais, acabaremos de fraldas, como é claramente dito no filme.
Quanto precisamos de pensar e de trabalhar na "maison de retraite" que sonhamos ou,...a que em vez de sonho chamamos pesadelo?

Aceitar o ciclo da vida significa preparar. Continuar a preparar após a reforma. Preparar o envelhecimento infalível, preparar o sítio onde
hoje nos parece que gostaríamos de terminar. De preferência embalados, como Benjamin Button !
Mas para isso é preciso planear.

Vejam o filme meus contemporâneos e ... vamos lá dar as mãos.

Envelhecer


Simonne de Beauvoir morreu há mais de 20 anos. A questão da velhice é mais do que nunca actual.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Chaminés da Covilhã



Neste tempo de crise, em que o trabalho parece ter deixado de ter um lugar central na sociedade, recordo as fábricas da Covilhã, com o fumo saindo das chaminés, as sirenes tocando e a lã sendo transformada em magníficos tecidos. Fecho os olhos e vejo-me com um casaco grenat em ratine de lã que vestia sobre um vestido azul Bic de argolinha mohair - made in Covilhã.
Esta é a chaminé do Alçada.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Barack Obama

Há quem use a dúvida como método e princípio de vida. São aqueles que ignoram o poder do sonho.
Aos que já se manifestam duvidando das possibilidades deste novo governo dos USA, lembro as palavras de Simone de Beauvoir :

"A verdade é que eles não querem ser governados por iguais: pensam muito mal deles porque pensam mal a seu próprio respeito e a respeito dos seus mais próximos vizinhos. É «humano» amar o dinheiro e viver ao serviço dos seus interesses. Mas quando somos humanos, como os outros, não somos capazes de governá-los. O povo pede então o não humano, o sobre-humano, o Grande Homem, que será «honesto» por que está «acima dessas questões»"


Simone de Beauvoir, A Força das Coisas

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Barack Obama the world hope is on you


Que responsabilidade sobre os teus ombros! Carregas neles todas as esperanças de um mundo melhor, após tanta história falhada! Acreditámos em ti quando disseste "yes we can". Cada um de nós sentiu que a sua acção pode fazer a diferença para conseguirmos um mundo em Paz, sem fome, onde os direitos humanos sejam respeitados. É nesse mundo que queremos viver. É esse mundo que queremos deixar aos nossos filhos. Os que assim não sentem, são apenas uma pequena minoria, cujo poder é tão só... aquele que lhes permitirmos.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

"... às próprias coisas nunca chegamos" Heidegger M. "Que é uma coisa" Edições 70 Lisboa




Tenho estado a estudar Heidegger e merece a pena, pelas implicações sociais e morais que algumas frases deste autor têm, partilhar um pouco este pensamento.
Trocamos uns com os outros imagens subjectivas da realidade ou das coisas. "Qual é o sol efectivo? Que coisa é a verdadeira - o sol do pastor ou o sol do astrofísico?"pag.24

Se me consciencializar de que ao meu lado existe uma subjectividade parecida com a minha e com igual direito, como não hei-de conversar com ela para harmonizar as nossas subjectividades? Como hei-de continuar a julgar que o sol que eu vejo tem mais probabilidades de ser o verdadeiro sol e que o sol do "outro" é apenas a sua visão deturpada e míope do mundo?

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Neve, muita neve e fofinha



De novo este Inverno a neve visitou a Covilhã. Já me tinha esquecido que podia ser divertido!