sábado, 11 de dezembro de 2010

sábado, 24 de julho de 2010

Mercado Municipal da Covilhã


Quando há fartura, quando as árvores se carregam de frutos, cerejas, peras, figos, maçãs e a terra produz bem cebolas, batatas, espigos, alface ou flores, podem comprar-se ali melhores produtos, mais maduros, mais saborosos, mais frescos do que na maioria dos supermercados, apesar do visível esforço que estes fazem para apresentarem também os produtos regionais. No mercado, os produtos não são muito mais baratos, às vezes são mesmo mais caros, mas é a troca directa do produtor para o consumidor com um valor acrescentado para os dois, o primeiro arrecadando a margem do grossista e do retalhista e o segundo recebendo informação sobre a àgua da rega ou as condições agrícolas, como a razão porque os figos de agora são mais pequenos do que antigamente.
Hoje foi um dia especial para os figos. A praça vinha abaixo com caixas de figos grandes, daqueles que há muitos, muitos anos, apenas apareciam como raridade, quando os figos para saberem bem precisam de fartura, de serem muitos e de podermos escolher aquele que está mais madurinho.
É por estes pequenos prazeres que continuo a ir semanalmente ao mercado. Troco-os pela incomodidade do peso dos sacos na mão ou do ter que vir mais do que uma vez até ao rés-do-chão para deixar alguns no carro e voltar para trazer mais. De facto, aquele edifício não oferece condições razoáveis nem para comprar, nem para vender e estes dois interesses encontram-se ali com sacrifício mútuo : os vendedores, que à força de braços colocam os produtos nas bancas e os compradores, que também à força de braços os levam para casa. E este mútuo sacríficio revela-se na disputa do único elevador existente. Os compradores, esperando pela sua vez, braços cansados com os ramos das flores, os sacos de fruta, porque um kilo de peras, um kilo de cebolas, 1 kilo de figos e por aí fora, somam vários kilos que se têm de manter no ar, porque para descansar apenas o chão se oferece e mesmo este exíguo espaço depressa é disputado por outros compradores. Os vendedores achando que o elevador, lógicamente, só pode ter sido ali colocado para estar ao seu serviço, sendo absolutamente sua a prioridade - eles estão a trabalhar enquanto, a seu ver, os compradores disfrutam do seu trabalho! E não é fácil explicar que sem compradores não são precisos vendedores e que o vendedor apenas tem sentido porque existe um comprador.
Quando será que esta filosofia prática poderá ser ensinada ao nosso povo?
Depois deste brevissimo retrato,já não pode ser de admirar que exista um contencioso entre vendedores e a autarquia, nem serão de estranhar as palavras do presidente dizendo que o mercado não é dos vendedores, mas da cidade! É que eles dizem que nestes 66 anos já o pagaram com o aluguer dos seus locais. É com a mesma visão deturpada, falha de ética e de qualquer sentido comercial, que os vendedores não querem saber do conforto dos compradores, até parece nem quererem saber se há compradores e, na sua falta, continuarão a culpar as grandes superfícies por lhes roubarem os clientes, sem pensarem um minuto no que deveriam fazer para os manterem. Mas não pensam porque não sabem e quem sabe é responsável pela sua ignorância, ainda que como Caim continue a resmungar
sou eu porventura o guardião do meu irmão?
Aqui fica a deixa para a autarquia organizar un pequeno seminário comercial para os vendedores do mercado.

quinta-feira, 15 de abril de 2010