quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Koala ou meu irmão koala ?

Foto de Mark Pardu
Austrália e o horror dos fogos.
A Solidariedade do bombeiro para o pequeno Koala!

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

A crise

Análise da Sociedade Portuguesa
  • Podia ser de hoje, com poucas diferenças, mas este texto foi escrito em Junho 2005


Desemprego anunciado

Recebo todos os meses uma newsletter sobre tendências do consumo. A deste mês, Junho de 2005, era essencialmente sobre os nichos de mercado, sobre o fim do consumo de massas, sobre o primado do consumidor num mundo ocidental onde há excesso. Este tipo de fins anunciados exercem sobre muita gente um efeito de cataclismo previsível e ao qual é impossível escapar.
Sempre que surge uma novidade tecnológica, científica, social, política, anuncia-se o fim de qualquer coisa, como se essa novidade destronasse radical e imediatamente o que estava em uso, ao qual não resta outra opção senão sumir-se, como se fosse possível cortar assim com o passado. Quando a televisão surgiu anunciou-se o fim do cinema, o fim da rádio. Passaram décadas e o cinema aí continua bem vivo, com as suas sessões de Óscares e a rádio continua a acordar-nos e a ser a nossa companhia nas viagens de automóvel; deixaram de ter exclusividade, foram forçados a adaptar-se. Com a Internet anunciou-se o fim dos livros e das livrarias; e houve lugar para se formar a Amazon.com.
Como diz Karl Popper, “nós criamo-nos a nós mesmos através da invenção da linguagem especificamente humana”. A linguagem cria a realidade, se nos deixarmos empurrar por ela, acreditando que o que se diz que vai acontecer, já é. Para Popper “a actividade, a desordem, a procura, é essencial à vida ".
Vem isto a propósito da abertura das fronteiras à China e do fim, anunciado há 10 anos, para os têxteis portugueses. Com certeza que não só para os têxteis, porque um elefante daquele tamanho, ao entrar num charquito como é a Europa, pode bem esvaziá-lo, se em todo o lado o processo tiver o tratamento que tem tido em Portugal. Ou seja, não escaparão os fabricantes de telemóveis suecos, nem os agricultores franceses, nem os construtores de automóveis alemães ou os relojoeiros suíços, a menos que já se tenham deslocalizado e estejam a fabricar lá. Assim sendo, talvez mantenham o negócio, mas não os postos de trabalho aqui na Europa. E à China podemos juntar a Coreia, o Taiwan e o Japão. Trabalho só existirá no Oriente. Mas como só o trabalho gera riqueza, na Europa restarão muito poucos ricos (os donos do capital que se deslocalizaram) e tão poucos serão, que este mercado deixará de ter interesse para aqueles Mamuts .
Grande parte dos portugueses, em virtude dos governos que têm tido e por força dos meios de comunicação, andam assarapantados e estão imobilizados, à espera que D. Sebastião saia do nevoeiro para lhes apontar o caminho que devem seguir. Como em 1871 dizia Antero de Quental ”é o abatimento, a prostração do espírito nacional. Acostumado o povo a servir, quebrou a energia das vontades, adormeceu a iniciativa”.
Qual nicho de mercado, qual estratégia possível ! Até os universitários, que supostamente sairão das universidades razoavelmente bem preparados para trabalhar e serem agentes modificadores do meio-ambiente, até esses, que estão a ser armados com a única armadura resistente para o nosso tempo, que estão a ser dotados de uma herança não perecível, os nossos jovens, a quem normalmente era necessário recomendar prudência, por lhes ser natural o gosto pelo risco, até eles estão aterrados, com medo de não arranjar trabalho, já mentalmente convencidos que o futuro será pior do que o passado.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Les Feuilles Mortes - Kiri Te Kanawa

huó dào lǎo, xué dào lǎo

Aprendizagem ao longo da vida significa também ter a coragem de aprender chinês "after sixty". Eu não tenho, mas há quem tenha,quem tenha partilhado isto comigo e disso aqui vou deixar o meu testemunho de pastora, que tem notícias de outras gentes e de outros sítios.

huó dào lǎo, xué dào lǎo

à letra: viver para chegar a velho, aprender para chegar a sábio

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

O estranho caso de Benjamin Button



O filme começa e termina numa "maison de retraite" onde Benjamim é acolhido. Pouca diferença entre os cuidados de que precisa um recém nascido e um idoso. A primeira infância e a grande velhice têm muito em comum, nas capacidades físicas e psíquicas de corpos que diferem no aspecto físico. Talvez fosse melhor se, como no filme, fizéssemos o percurso ao contrário, terminando como bébés rechonchudos.

Quanto nos custa aceitar que, se duramos mais, acabaremos de fraldas, como é claramente dito no filme.
Quanto precisamos de pensar e de trabalhar na "maison de retraite" que sonhamos ou,...a que em vez de sonho chamamos pesadelo?

Aceitar o ciclo da vida significa preparar. Continuar a preparar após a reforma. Preparar o envelhecimento infalível, preparar o sítio onde
hoje nos parece que gostaríamos de terminar. De preferência embalados, como Benjamin Button !
Mas para isso é preciso planear.

Vejam o filme meus contemporâneos e ... vamos lá dar as mãos.

Envelhecer


Simonne de Beauvoir morreu há mais de 20 anos. A questão da velhice é mais do que nunca actual.