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sábado, 24 de julho de 2010

Mercado Municipal da Covilhã


Quando há fartura, quando as árvores se carregam de frutos, cerejas, peras, figos, maçãs e a terra produz bem cebolas, batatas, espigos, alface ou flores, podem comprar-se ali melhores produtos, mais maduros, mais saborosos, mais frescos do que na maioria dos supermercados, apesar do visível esforço que estes fazem para apresentarem também os produtos regionais. No mercado, os produtos não são muito mais baratos, às vezes são mesmo mais caros, mas é a troca directa do produtor para o consumidor com um valor acrescentado para os dois, o primeiro arrecadando a margem do grossista e do retalhista e o segundo recebendo informação sobre a àgua da rega ou as condições agrícolas, como a razão porque os figos de agora são mais pequenos do que antigamente.
Hoje foi um dia especial para os figos. A praça vinha abaixo com caixas de figos grandes, daqueles que há muitos, muitos anos, apenas apareciam como raridade, quando os figos para saberem bem precisam de fartura, de serem muitos e de podermos escolher aquele que está mais madurinho.
É por estes pequenos prazeres que continuo a ir semanalmente ao mercado. Troco-os pela incomodidade do peso dos sacos na mão ou do ter que vir mais do que uma vez até ao rés-do-chão para deixar alguns no carro e voltar para trazer mais. De facto, aquele edifício não oferece condições razoáveis nem para comprar, nem para vender e estes dois interesses encontram-se ali com sacrifício mútuo : os vendedores, que à força de braços colocam os produtos nas bancas e os compradores, que também à força de braços os levam para casa. E este mútuo sacríficio revela-se na disputa do único elevador existente. Os compradores, esperando pela sua vez, braços cansados com os ramos das flores, os sacos de fruta, porque um kilo de peras, um kilo de cebolas, 1 kilo de figos e por aí fora, somam vários kilos que se têm de manter no ar, porque para descansar apenas o chão se oferece e mesmo este exíguo espaço depressa é disputado por outros compradores. Os vendedores achando que o elevador, lógicamente, só pode ter sido ali colocado para estar ao seu serviço, sendo absolutamente sua a prioridade - eles estão a trabalhar enquanto, a seu ver, os compradores disfrutam do seu trabalho! E não é fácil explicar que sem compradores não são precisos vendedores e que o vendedor apenas tem sentido porque existe um comprador.
Quando será que esta filosofia prática poderá ser ensinada ao nosso povo?
Depois deste brevissimo retrato,já não pode ser de admirar que exista um contencioso entre vendedores e a autarquia, nem serão de estranhar as palavras do presidente dizendo que o mercado não é dos vendedores, mas da cidade! É que eles dizem que nestes 66 anos já o pagaram com o aluguer dos seus locais. É com a mesma visão deturpada, falha de ética e de qualquer sentido comercial, que os vendedores não querem saber do conforto dos compradores, até parece nem quererem saber se há compradores e, na sua falta, continuarão a culpar as grandes superfícies por lhes roubarem os clientes, sem pensarem um minuto no que deveriam fazer para os manterem. Mas não pensam porque não sabem e quem sabe é responsável pela sua ignorância, ainda que como Caim continue a resmungar
sou eu porventura o guardião do meu irmão?
Aqui fica a deixa para a autarquia organizar un pequeno seminário comercial para os vendedores do mercado.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Natal 2009


Nasceu-nos um menino!

Esta foi a Boa Nova.
Quando nasce uma criança os homens, quase todos, ajoelham diante do milagre da vida e se necessário, contribuem com os seus presentes, dando do que têm, partilhando.
Mesmo que o Natal não tivesse senão este significado, do ajoelhar perante o milagre e a esperança da vida e de bom coração dar do que se tem, repartindo, já valia a pena haver Natal.
Mesmo que os votos de Boas Festas que damos e recebemos nos pareçam uma formalidade - que excelente formalidade esta é. Uma vez por ano os homens saúdam-se.
Oxalá aprendessemos a fazê-lo todos os dias e haveria PAZ e todos seríamos homens de boa vontade.
Pastora

sábado, 12 de dezembro de 2009

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

San Suu Kyi e os tiranos


«Não é o poder que corrompe mas o medo. O medo de perder o poder corrompe aqueles que o detêm e o medo das sevícias do poder corrompe aqueles que lhe estão sujeitos.» San Suu Kyi

Presa há mais de 13 anos, esta lutadora pela democracia, que ganhou em 1990 o prémio Rafto e o Prémio Sakharov Pela Liberdade de Pensamento e em 1991 o Prémio Nobel da Paz, acaba de ser de novo condenada a mais 18 meses de prisão por falso testemunho.
Ela não tem medo, mas o mundo tem medo de interceder por ela. Durante o nazismo eram muitos os que sabiam e nada fizeram . Devem ser os cidadãos a unir-se e a dar força aos governos para se oporem.
Se queres associar-te ao protesto vai a:

http://www.avaaz.org/en/jail_the_generals

e assina a petição. Fazemos pouco, mas aquilo que fazemos faz toda a diferença.Hoje por ela, amanhã por nós.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

sexta-feira, 1 de maio de 2009

1º de Maio 2009


Que linda tarde de Primavera, a deste 1º de Maio 2009!
Sentei-me numa esplanada com um livro e, meio ao sol, meio à sombra, frente a um bonito jardim fui lendo durante cerca de 2 horas. Ao longe, ora o som de uma gaita de foles e bombos, ora os ensaios dos alunos da escola de música mesmo em frente. Depois fui até ao centro, ao meio do povo, à festa. Lá estavam os bombos a actuar com as suas bonitas camisola vermelhas. Fiquei um pouco mais do que seria habitual. Saboreando a música popular "
oh minha farrapeira oh minha farrapeirinha" , sentindo o entusiasmo com que tocavam os seus bombos enquanto pensava que havia pouca gente . Um 1º de Maio em que o Mundo parece dizer que dispensa o trabalho e os trabalhadores.
Assustam-se os homens e mulheres donos destas mãos que tocam os bombos, que tecem, lavram, edificam, organizam, modificam, enfeitam e tornam o nosso mundo bonito num mundo um pouco mais confortável. Elas não são dispensáveis, apenas mudam de lugar. É nelas que reside toda a força do Mundo e os trabalhadores às vezes esquecem que a Norte ou a Sul, a Leste ou Oeste, é nas suas mãos que está o poder.
Reparo na ironia entre o dia que hoje se comemora e o livro que estou a ler. É o Princípe de Maquiavel.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Deficientes e Impostos

Em vez de incentivar os deficientes a não serem dependentes e apesar das suas dificuldades - i m e n s a s - conseguirem ser independentes em vez de subsidio-dependentes, o nosso estado socialista espreita os seus ordenados para lhes caçar uns tostões, enquanto deixa escapar os milhões dos bancos e das grandes empresas que não pagam ao fisco.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

domingo, 8 de março de 2009

Dia Internacional da Mulher


Celebramos hoje o dia Internacional da Mulher.

Apesar dos esforços, e do progresso conseguido nas últimas décadas para promover a integração da Mulher, o planeta Terra continua dominado pelo género masculino.

Necessitamos de continuar a forçar a caminhada na difícil estrada da diferença, onde havemos de encontrar um horizonte comum. O resultado dependerá das contribuições pessoais. Mas uma coisa é certa, todos os discursos sobre outras inclusões, não passarão de máscaras sociais, enquanto não tivermos resolvido o problema da inclusão da Mulher. Porque antes de outras diferenças, o género humano é formado por homem e mulher.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

A crise

Análise da Sociedade Portuguesa
  • Podia ser de hoje, com poucas diferenças, mas este texto foi escrito em Junho 2005


Desemprego anunciado

Recebo todos os meses uma newsletter sobre tendências do consumo. A deste mês, Junho de 2005, era essencialmente sobre os nichos de mercado, sobre o fim do consumo de massas, sobre o primado do consumidor num mundo ocidental onde há excesso. Este tipo de fins anunciados exercem sobre muita gente um efeito de cataclismo previsível e ao qual é impossível escapar.
Sempre que surge uma novidade tecnológica, científica, social, política, anuncia-se o fim de qualquer coisa, como se essa novidade destronasse radical e imediatamente o que estava em uso, ao qual não resta outra opção senão sumir-se, como se fosse possível cortar assim com o passado. Quando a televisão surgiu anunciou-se o fim do cinema, o fim da rádio. Passaram décadas e o cinema aí continua bem vivo, com as suas sessões de Óscares e a rádio continua a acordar-nos e a ser a nossa companhia nas viagens de automóvel; deixaram de ter exclusividade, foram forçados a adaptar-se. Com a Internet anunciou-se o fim dos livros e das livrarias; e houve lugar para se formar a Amazon.com.
Como diz Karl Popper, “nós criamo-nos a nós mesmos através da invenção da linguagem especificamente humana”. A linguagem cria a realidade, se nos deixarmos empurrar por ela, acreditando que o que se diz que vai acontecer, já é. Para Popper “a actividade, a desordem, a procura, é essencial à vida ".
Vem isto a propósito da abertura das fronteiras à China e do fim, anunciado há 10 anos, para os têxteis portugueses. Com certeza que não só para os têxteis, porque um elefante daquele tamanho, ao entrar num charquito como é a Europa, pode bem esvaziá-lo, se em todo o lado o processo tiver o tratamento que tem tido em Portugal. Ou seja, não escaparão os fabricantes de telemóveis suecos, nem os agricultores franceses, nem os construtores de automóveis alemães ou os relojoeiros suíços, a menos que já se tenham deslocalizado e estejam a fabricar lá. Assim sendo, talvez mantenham o negócio, mas não os postos de trabalho aqui na Europa. E à China podemos juntar a Coreia, o Taiwan e o Japão. Trabalho só existirá no Oriente. Mas como só o trabalho gera riqueza, na Europa restarão muito poucos ricos (os donos do capital que se deslocalizaram) e tão poucos serão, que este mercado deixará de ter interesse para aqueles Mamuts .
Grande parte dos portugueses, em virtude dos governos que têm tido e por força dos meios de comunicação, andam assarapantados e estão imobilizados, à espera que D. Sebastião saia do nevoeiro para lhes apontar o caminho que devem seguir. Como em 1871 dizia Antero de Quental ”é o abatimento, a prostração do espírito nacional. Acostumado o povo a servir, quebrou a energia das vontades, adormeceu a iniciativa”.
Qual nicho de mercado, qual estratégia possível ! Até os universitários, que supostamente sairão das universidades razoavelmente bem preparados para trabalhar e serem agentes modificadores do meio-ambiente, até esses, que estão a ser armados com a única armadura resistente para o nosso tempo, que estão a ser dotados de uma herança não perecível, os nossos jovens, a quem normalmente era necessário recomendar prudência, por lhes ser natural o gosto pelo risco, até eles estão aterrados, com medo de não arranjar trabalho, já mentalmente convencidos que o futuro será pior do que o passado.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Barack Obama

Há quem use a dúvida como método e princípio de vida. São aqueles que ignoram o poder do sonho.
Aos que já se manifestam duvidando das possibilidades deste novo governo dos USA, lembro as palavras de Simone de Beauvoir :

"A verdade é que eles não querem ser governados por iguais: pensam muito mal deles porque pensam mal a seu próprio respeito e a respeito dos seus mais próximos vizinhos. É «humano» amar o dinheiro e viver ao serviço dos seus interesses. Mas quando somos humanos, como os outros, não somos capazes de governá-los. O povo pede então o não humano, o sobre-humano, o Grande Homem, que será «honesto» por que está «acima dessas questões»"


Simone de Beauvoir, A Força das Coisas

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Barack Obama the world hope is on you


Que responsabilidade sobre os teus ombros! Carregas neles todas as esperanças de um mundo melhor, após tanta história falhada! Acreditámos em ti quando disseste "yes we can". Cada um de nós sentiu que a sua acção pode fazer a diferença para conseguirmos um mundo em Paz, sem fome, onde os direitos humanos sejam respeitados. É nesse mundo que queremos viver. É esse mundo que queremos deixar aos nossos filhos. Os que assim não sentem, são apenas uma pequena minoria, cujo poder é tão só... aquele que lhes permitirmos.