sábado, 26 de abril de 2008

Dia Mundial do Livro


Não sei como conseguem assistir às comemorações e actualizarem os bloggs no mesmo dia! Rendo a minha homenagem aos que são capazes de o fazer. Eu pensava que não era preguiçosa, mas depois de ver o Blog da Banda da Covilhã ... bom tenho de concordar que o Blog da Banda tem um speed !!!

O dia do Livro foi 23 e, aqui na minha terra, foi comemorado e bem, com os lançamentos de livros na UBI.
A respeito de livros e das palavras dos livros, ou dos discursos, quero partilhar um bocadinho de texto de Ohran Pamuk, prémio Nobel em 2006, que começa o livro assim: «Um dia li um livro e toda a minha vida mudou» . E que diz a certa altura : « ... e as palavras, e mais palavras, e ainda mais palavras espalharam-se por todo o lado, como as contas de um colar cujo fio se partiu. Como baratas famintas e frenéticas, as palavras impressas invadiram as embalagens de sabonetes ou as caixas de ovos, enfiaram-se por baixo das nossas portas. De tal maneira assim foi que o verbo e matéria, dantes inseparáveis, viraram as costas um ao outro. De tal maneira assim foi que na noite de luar, quando nos perguntam o que significam o tempo, a vida, a tristeza, o destino e a dor, nós confundimos todas as respostas que outrora conheciamos de cor. Tal como o estudante marrão que não dorme na véspera de um exame.» A Vida Nova

Um grande amigo meu emprestou-me há uns anos um livrinho, escrito por um missionário, sobre um costume de um país africano, que relatava que o marido e mulher, não falavam um com o outro. Para comunicarem tinham uma linguagem feita com os testos das panelas. Testo assim, queria dizer bem disposto, texto de outro modo, queria dizer zangado e por aí fora. Muitas palavras más, daquelas que não se esquecem, eram assim evitadas.

Entre o extremo das palavras a perseguirem-nos por baixo das portas, e a sábia falta de palavras da linguagem dos testos, tem que haver um meio termo.

terça-feira, 22 de abril de 2008

Queima das Fitas


Procurava hoje um poema, para a fita de um poeta. Abri o livro ao acaso e, o acaso foi certeiro.
Reparei que coincide com o meu estudo actual de Kant. E um poeta, explica assim de modo fácil, que não podemos conhecer as coisas an sich, e o que conhecemos das coisas, depende de cada um de nós. Qual D. Quixote, às vezes também eu uso óculos côr-de-rosa!

....
Nas ruas ou nas estradas
onde passa tanta gente,
uns vêem pedras pisadas,
mas outros, gnomos e fadas
num halo resplandecente.

Inútil seguir vizinhos,
querer ser depois ou ser antes.
Cada um é seus caminhos.
Onde Sancho vê moinhos
D. Quixote vê gigantes.

Vê moinhos? São moinhos.
Vê gigantes? São gigantes.

De António Gedeão - Impressão Digital

sábado, 5 de abril de 2008

a fantástica aventura de ser humano

" Oh deusa, há oito anos, oito anos terríveis, estou privado de ver o trabalho, o esforço, a luta e o sofrimento... Oh deusa, não te escandalizes! Ando esfaimado por encontrar um corpo arquejando sob um fardo: dois bois fumegantes puxando um arado: homens que se injuriem na passagem de uma ponte; os braços suplicantes de uma mãe que chora; um coxo, sobre a sua muleta, mendigando á porta das vilas...... Não posso mais com esta serenidade sublime! Toda a minha alma arde no desejo do que se deforma, e se suja, e se espedaça, e se corrompe... Oh deusa imortal, eu morro com saudades da morte!"

Eça de Queirós in A Perfeição


segunda-feira, 31 de março de 2008

Galileu de António Gedeao

Ontem, hoje, amanhã

Estou olhando o teu retrato, meu velho pisano,
aquele teu retrato que toda a gente conhece,
em que a tua bela cabeça desabrocha e floresce
sobre um modesto cabeção de pano.

Aquele retrato da Galeria dos Ofícios da tua velha Florença.
(Não, não, Galileo! Eu não disse Santo Ofício.
Disse Galeria dos Ofícios.)

Aquele retrato da Galeria dos Ofícios da requintada Florença.
Lembras-te? A Ponte Vecchio, a Loggia, a Piazza della Signoria…
Eu sei… eu sei…
As margens doces do Arno às horas pardas da melancolia.

Ai que saudade, Galileo Galilei!
Olha. Sabes? Lá em Florença
está guardado um dedo da tua mão direita num relicário.
Palavra de honra que está!
As voltas que o mundo dá!
Se calhar até há gente que pensa
que entraste no calendário.

Eu queria agradecer-te, Galileo,
a inteligência das coisas que me deste.
Eu,e quantos milhões de homens como eu
a quem tu esclareceste,
ia jurar- que disparate, Galileo!
- e jurava a pés juntos e apostava a cabeça
sem a menor hesitação-
que os corpos caem tanto mais depressa
quanto mais pesados são.
Pois não é evidente, Galileo?
Quem acredita que um penedo caia
com a mesma rapidez que um botão de camisa ou que um seixo da praia?
Esta era a inteligência que Deus nos deu.
Estava agora a lembrar-me, Galileo,
daquela cena em que tu estavas sentado num escabelo
e tinhas à tua frente
um friso de homens doutos, hirtos, de toga e de capelo
a olharem-te severamente.
Estavam todos a ralhar contigo,
que parecia impossível que um homem da tua idade
e da tua condição,
se tivesse tornado num perigo
para a Humanidade
e para a Civilização.
Tu, embaraçado e comprometido, em silêncio mordiscavas os lábios,
e percorrias, cheio de piedade,
os rostos impenetráveis daquela fila de sábios.
Teus olhos habituados à observação dos satélites e das estrelas,
desceram lá das suas alturas
e poisaram, como aves aturdidas- parece-me que estou a vê-las -,
nas faces grávidas daquelas reverendíssimas criaturas.
E tu foste dizendo a tudo que sim, que sim senhor, que era tudo tal qual
conforme suas eminências desejavam,
e dirias que o Sol era quadrado e a Lua pentagonal
e que os astros bailavam e entoavam
à meia-noite louvores à harmonia universal.
E juraste que nunca mais repetirias
nem a ti mesmo, na própria intimidade do teu pensamento, livre e calma,
aquelas abomináveis heresias
que ensinavas e descrevias
para eterna perdição da tua alma.

Ai Galileo!
Mal sabem os teus doutos juízes, grandes senhores deste pequeno mundo
que assim mesmo, empertigados nos seus cadeirões de braços,
andavam a correr e a rolar pelos espaços
à razão de trinta quilómetros por segundo.
Tu é que sabias, Galileo Galilei.
Por isso eram teus olhos misericordiosos,
por isso era teu coração cheio de piedade,
piedade pelos homens que não precisam de sofrer, homens ditosos
a quem Deus dispensou de buscar a verdade.
Por isso estoicamente, mansamente,
resististe a todas as torturas,
a todas as angústias, a todos os contratempos,
enquanto eles, do alto incessível das suas alturas,
foram caindo,
caindo,
caindo,
caindo,
caindo sempre,
e sempre,
ininterruptamente,
na razão directa do quadrado dos tempos.

quarta-feira, 12 de março de 2008

Páscoa


Um ovo é fechado como um túmulo, mas contém vida. De repente abre-se, e acontece o milagre. O milagre da Vida. Por isso oferecemos Ovos na Páscoa. Símbolos de Ressurreição.
Que assim seja para todos.
Feliz Páscoa!!

sábado, 8 de março de 2008

Dia Internacional da Mulher

Foi em 8 de Março de 1857 , que as operárias de têxteis de Nova York organizaram uma marcha de protesto reivindicando a redução do horário de 16 horas, para 10 horas por dia. Foi a primeira acção de protesto conduzida por mulheres, e foi violentamente reprimida pela polícia.
Desde 1910, em homenagem àquelas mulheres, foi decidido comemorar o dia 8 de Março como "Dia Internacional da Mulher".